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My truth

A minha verdade. O que sinto e vejo. O que sou.

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20
Set18

Há muitos armários

#RapazSecreto

 

"Sou gay".

 

Já disse esta frase, algumas vezes e, em todas elas, há um misto de medo, dor e libertação. É sempre incerta a reação que me aguarda. Do outro lado, pode estar alguém que me vai aceitar de imediato, como pode estar alguém que jamais me voltará a olhar com os mesmos olhos. Essa é a razão pela qual muitos que estão na mesma situação que eu adiam este momento. 

 

Vivemos numa altura diferente daquela em que eu vivi há 10 anos, quando tinha ainda 11 anos e era apenas um jovem a descobrir-se. Porque ao contrário do que muitos pensam, ninguém acorda um dia e diz "vou gostar de pessoas do mesmo sexo", do mesmo modo que todos os heterossexuais não decidiram a sua orientação sexual. Aliás, se se tratasse de uma escolha, a comunidade LGBTI seria muito inferior, ou até nula, porque dificilmente alguém optaria por um caminho de dor, de dificuldade, de medo.

 

Alguém quereria sentir na pele o ódio e o nojo?

 

Se hoje há muitas séries e telenovelas com diversas e reais personagens LGBTI, na minha altura as únicas personagens que existiam correspondiam ao estereótipo - o homossexual efeminado que é muito engraçado e até fútil. Acontece que nem todos somos assim, sem qualquer desmérito ou desvalorização de quem assim seja, só não são representativos da diversidade. Nenhum "tipo" de pessoa será, por certo, representativa de um grupo tão abrangente.

 

Eu já sofri de agressões físicas e verbais, já ouvi piadas ordinárias e sexuais, já fui posto de parte, odiado, já criaram mentiras sobre mim e já me humilharam. Pior, fizeram-me sentir que eu era culpado, fizeram-me sentir nojo de mim mesmo. Alguns pediram-me desculpa, acabei por ser grande amigo de outros.

 

Aprendi que ódio não se paga com ódio.

 

Ainda hoje é díficil dizer "sou gay", porque ao contrário do que se pensa, não se sai do armário uma vez. Pais, família, amigos, colegas... Todos com reações diferentes, com pesos e importâncias diferentes. É preciso sair várias vezes do armário ou viver para sempre a meio gás, a darmo-nos pela metade, a não sermos livres.

 

São milhares de adolescentes que, assim como eu, sofreram esse tipo de agressão.

Tá na hora de transformar o preconceito em respeito, de aceitar as pessoas como elas são e querem ser.

Tá na hora de olhar na cara da homofobia e dizer: eu sou assim, e daí?

Pabllo Vittar | cantora drag queen

 

Se quiserem partilhar a vossa visão sobre a homofobia, eu gostaria de vos ler.

 

#RapazSecreto

 

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