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My truth

A minha verdade. O que sinto e vejo. O que sou.

O dia em que descobri que o Pai Natal não existe

03.12.18, #RapazSecreto

 

Creio que a maioria de nós passou (ou viu alguém passar) por este momento. Sim, a dolorosa revelação de que não há um encantador e generoso homem de idade, com longas barbas brancas que, numa só noite, é capaz de percorrer as casas de todas as crianças do mundo e deixar-lhes prendas.

 

Durante muitos anos, o Natal foi sinónimo de presentes, da espera ansiosa da vinda deste senhor, da expectativa de que ele trouxesse as muitas coisas que lhe havíamos pedido, por carta. A magia do Natal foi esta, durante a minha infância.

 

Nesta altura, o Natal era sempre passado na casa dos meus avós. Depois de jantar, começava a espera, sempre atento ao som do tilintar dos sinos. Quando eles tocassem, ele havia chegado. Entrava sempre pela porta das traseiras e, uma vez, a minha mãe até disse ter-lhe visto o trenó e as renas no quintal. Ano após ano, caminhava atrás do meu avô (sim, porque havia o medo de encontrar aquele estranho na cozinha com um saco de prendas), dizendo que era apenas para que ele pudesse "ver melhor".

 

Durante estes anos, sempre me admirei com o facto de a minha tia ir à casa de banho na hora H. Coitada, que azar! Perdia sempre o melhor da noite. Até que, numa noite de consoada, quando eu comecei a crescer, ela tocou à campainha, apenas com o gorro vestido e, a partir daí, foi unir os pontos. Fiquei triste, mas também admirado.

 

Como algo tão simples me fez sonhar durante tantos anos. A minha tia, afinal, nunca tinha perdido o melhor do Natal... Ela tinha feito acontecer o melhor do Natal. Ano após ano, mascarou-se, engrossou a voz, andou a saltar muros entre quintais (para poder passar das traseiras da casa, para a porta da entrada, sem que eu me apercebesse), a despir-se rápido para se mostrar surpreendida com tantas prendas. Houve até um ano, em que pintou a cara e eu descobri que também havia Pais Natais negros.

 

Nesse dia, o Natal perdeu um encanto e eu percebi que havia outra magia por conhecer - a das pessoas, a da partilha, a dos afetos. Esse é o verdadeiro Natal.

 

#RapazSecreto

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