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My truth

A minha verdade. O que sinto e vejo. O que sou.

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23
Out18

Um ano sem ti

#RapazSecreto

 

 Um ano.

Já passou um ano.

 

Foi tudo tão imprevisível e doloroso. Um dia estavas cá e, no outro, sobrava apenas o corpo que tantas vezes abraçáramos, que representava a pessoa que amávamos. O corpo que nos fazia sentir em casa.

 

Um ano.

Ainda só passou um ano.

 

Jamais esquecerei o momento em que soube. Seria apenas mais uma manhã de segunda-feira, mas mal sabia eu que, quando o telemóvel tocasse e eu o atendesse, no meio da autoestrada, as palavras que ouviria seriam "a avó faleceu".

 

Foi o meu primeiro contacto com a morte, com a perda definitiva. Não sei descrever a sensação, mas é como se o (meu) mundo parasse, apesar de nos outros carros as pessoas continuarem a sorrir, as mulheres a maquilharem-se e os pais a discutirem com os filhos. É como se o chão se abrisse, me engolisse e me despedaçasse.

 

Um ano.

Como aguentamos viver sem ti, durante um ano?

 

Na noite anterior, eu, que só recorro à fé em casos de aflição extrema, pedia que saísses do hospital. Apesar de os médicos garantirem que seria uma questão de tempo para estares totalmente recuperada, o meu coração sentia algo diferente. Nessa noite, eu não me sentia bem.

 

Na manhã seguinte, a preocupação não existia, nem o medo. Eu sentia que tu estavas bem. Hoje, gosto de acreditar que essa tranquilidade existia tão somente porque já não estavas a sofrer. Tinhas partido, estarias em paz.

 

Um ano depois.

 

Fiz as pazes comigo. Fiz as pazes com o facto de não te ter visto nos teus últimos dias de vida, mas sei que tu sabias que eu não podia. Eu sei disso e, ainda assim, doeu-me. Talvez por saber que estive sempre, menos quando era o momento da despedida.

 

Ainda ouço a tua gargalhada, o modo como pronunciavas o nome da gata, a forma como contavas as histórias pela milésima vez, os segredos que comigo partilhaste, as mágoas que te faziam chorar, as situações que te faziam preocupar. Recordarei para sempre as peripécias, o teu jeito tão especial, o teu sorriso tão teu e a sensação da pele seca das tuas mãos sempre que me davas mimos.

 

Sei que foste o meu anjinho na terra. Sei que foste o ser com mais luz que eu conheci. Sei que eras a única sem maldade. Sei que fui um privilegiado. Sei que sou um privilegiado, por me teres deixado acompanhar um pedacinho da tua viagem neste mundo. Serás sempre parte da minha história.

 

Sei que tu sabes que eu te amei.

Muito. Tanto.

E gosto de acreditar que to disse, na nossa última conversa.

 

Um ano depois, é só a isso que eu me posso agarrar.

 

#RapazSecreto

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